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Educação maker mostra que é possível ensinar atitudes e valores em sala de aula

Como a aprendizagem “mão na massa” pode ajudar a formar competências essenciais aos cidadãos do século 21

CULTURA MAKER

Pensar nas crianças e nos adolescentes como o futuro é, com o perdão do trocadilho, coisa do passado. Nos projetos educacionais atuais, eles são justamente o presente, inovando em um conjunto de áreas do conhecimento e, com isso, entrando em contato com valores necessários às sociedades modernas.

É nisso que os educadores engajados no chamado “movimento maker“, ou “mão na massa”, como algumas escolas o chamam, acreditam: que seus alunos possuem condições de construir coisas, unindo criatividade e responsabilidade social. Por meio do manuseio de tecnologias digitais, ou até sucatas, estudantes de todas as idades materializam o conhecimento da sala de aula, levando-o para a vida.

No entanto, o movimento não espera se reduzir apenas ao ineditismo do método: ele quer se colocar como a alternativa mais viável para a formação dos cidadãos deste século. “Por meio de métodos práticos de ensino, a escola estimula um ambiente de livre criação e expressão de idéias”, diz Diego Thuler, CEO da Little Maker, metodologia que ajuda escolas a implementar o método.

“Com a mão na massa, as crianças materializam o conhecimento de forma criativa e, ao mesmo tempo, exercitam suas habilidades socioemocionais. Essa dinâmica ajuda a sedimentar atitudes e valores, como colaboração, resiliência, cooperação, responsabilidade, essenciais aos cidadãos do século 21”, completa.

Os espaços maker — ambientes projetados e equipados para que os estudantes construam projetos com as próprias mãos — estão crescendo no país em escolas, universidades e consultorias educacionais. Os primeiros locais nesse formato foram construídos na Alemanha, na metade dos anos 1990, por um grupo de programadores da área de computação, mas desde então se expandiram para áreas como a Mecânica, a Química, a Arquitetura, a Biologia e a Artes. No final, a expectativa é que eles se sintam parte do conhecimento, e não só em contato com ele.

Espaços pedagógicos alinhados aos desafios contemporâneos

Consenso entre educadores contemporâneos, o processo de aprendizagem no qual a criança deve absorver uma grande quantidade de conteúdo sentada em uma cadeira está passando por uma revisão. “No dia a dia, as crianças vivem totalmente voltadas para mídias digitais, portanto a educação mão na massa torna-se fundamental para que elas desenvolvam um olhar diferente, aprendendo, de fato, como funciona o processo criativo”, diz Ivan Ferreira, professor da rede pública de ensino do estado de São Paulo.

“Por meio de métodos maker, o aluno sabe o que está fazendo, tornando-se protagonista  no processo de aprendizagem. Acredito que a cultura maker tem o poder de mudar a educação nas escolas, chegando até a diminuir a desigualdade social do país tendo em vista sua fácil aplicabilidade, possível para todos em todos os contextos sociais” completa.

O professor se refere a abordagem democrática que a cultura maker enfatiza. Do ponto de vista social e levando em conta o atual contexto, é um passo importante para as escolas do país: jovem ou velho, rico ou pobre, urbano ou rural, independente das ferramentas ou meio, o que importa é a atitude maker.

Para Simone Lederman, pedagoga e coordenadora do Instituto Catalisador — organização da sociedade civil que implementa práticas educativas centradas no mão na massa — a educação maker estimula, acima de tudo, engajamento e confiança nos alunos. “As construções e conquistas do processo mão na massa geram ciclos de confiança na própria aprendizagem, o aluno fica mais confiante com relação ao seu potencial”, diz.

“Isso porque quando os alunos percebem que são capazes de ligar um led, uma bateria, de construir as mais diversas engenhocas, eles se conscientizam de que podem aprender tudo o que quiserem, incluindo português, matemática ou qualquer outra disciplina escolar”, completa.

A educadora ainda ressalta que a partir do momento em que as crianças transformam recursos simples em construções mais complexas, elas se sentem aptas a agir no mundo, transformando o seu entorno, comportamento que, mais pra frente, será exigido por um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.

 

Educação maker e a BNCC

O movimento, além do mais, não deixa de ser uma opção às competências educacionais previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para os ensinos fundamental e médio, aprovada pelo Ministério da Educação no ano passado. Entre as dez diretrizes, estão o Pensamento Científico, Crítico e Criativo, a Empatia e Cooperação e a Responsabilidade e Cidadania, entre outras — elementos que são trabalhados pelo método maker.

 

 

FONTE: https://direcionalescolas.com.br/educacao-maker-mostra-que-e-possivel-ensinar-atitudes-e-valores-em-sala-de-aula/