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Hábitos saudáveis também se aprendem na escola

Como crianças e jovens aprendem que, para ter saúde e viver melhor, é necessário comer alimentos saudáveis e praticar atividades físicas regulamente? A lição pode vir de casa ou ser transmitida por médicos. Não dá para negar, porém, que a escola também exerce um papel educativo importante para que esses hábitos sejam incorporados no cotidiano dos alunos.  

No contexto escolar, cabe aos gestores coordenar ações que promovam o desenvolvimento desses hábitos e garantir a estrutura para a realização das propostas. Afinal, direção e coordenação pedagógica centralizam a comunicação na instituição de ensino, administram as verbas e costuram parcerias para efetivar os projetos.

Para o gestor, ter clareza sobre a realidade na qual a instituição de ensino está inserida é fundamental para elaborar o que é possível ser feito. “Pensar a alimentação como maneira de contribuir para o desenvolvimento nutricional e físico dos alunos deve ser um projeto institucional de toda escola. Mas é o mapeamento da comunidade que vai determinar o tipo de atenção dada ao assunto”, explica Maura Barbosa, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac.

Envolva alunos e famílias

Esse mapeamento inclui conhecer mais sobre as famílias e o contexto social do entorno. Para completar, é preciso estar atento a tudo o que ocorre dentro da unidade de ensino. Observar, portanto, é essencial. Na EMEF Ministro Anibal Freire, em São Paulo, há alguns anos, a diretora Celia Cristina de Figueiredo Cassiano e sua equipe perceberam que poucos alunos comiam o que era servido pela escola. A maioria optava por levar de casa salgadinhos e refrigerantes.

Para mudar esse quadro, a diretora trabalhou em conjunto com os demais gestores e os professores. Eles realizaram encontros com as famílias em que explicaram como as refeições eram preparadas, ressaltando que tudo contava com a supervisão de nutricionistas. Essa conscientização foi importante para que os responsáveis estimulassem os filhos a adotar uma alimentação mais saudável.

O trabalho estendeu-se aos alunos. Coordenação pedagógica e professores planejaram aulas sobre o tema. Uma das iniciativas previa conversas sobre o cardápio da semana. O docente, então, falava sobre as características de cada alimento e o porquê de eles serem saudáveis. “Ao discutir a organização do cardápio, explicando como é elaborada a sequência de alimentação da semana e quais os valores nutricionais e benefícios dos alimentos, aquilo ganha sentido e significado para crianças e jovens. É muito mais eficiente do que apenas comunicar o que será servido”, afirma Maura. “É um debate que pode ser feito com todos os alunos, adequando as informações à faixa etária. Para o Fundamental 2, por exemplo, pode-se mostrar como determinado alimento melhora o desempenho físico naquela idade”, completa a coordenadora.

Segundo Celia, a comunidade do entorno da unidade de ensino é formada, na maioria, por pessoas de baixa renda. “Os alunos não têm acesso em casa a muito do que é oferecido na escola, como frutas ou legumes que fogem ao básico. Então, a questão não era se eles gostavam ou não. Eles simplesmente não comiam porque não conheciam muitos daqueles alimentos”, conta a diretora.

Essa realidade levou a projetos de experimentação em que os alunos do Fundamental 1, por exemplo, foram estimulados a preparar receitas e provar alimentos diferentes. Assim, aos poucos, a aceitação das refeições cresceu e, quando a direção propôs proibir a entrada de salgadinhos e refrigerantes na escola, não houve resistência.

Outra ação realizada foi a alteração no horário das refeições. Antes as turmas do Fundamental 1 saíam da sala de aula e podiam escolher entre comer e ir brincar. Consequência: muitos alunos nem paravam para se alimentar. Agora os dois momentos são separados. Quanto à prática de exercícios, foi dada atenção especial aos intervalos. Para esses momentos, coordenação pedagógica e professores elaboraram atividades físicas dirigidas, com a oferta de jogos e brincadeiras. E conquistaram a ajuda dos jovens que participam do grêmio estudantil. São eles que orientam os menores.

Estimule engajamento da equipe escolar

Na EPG Professor Pedro Geraldo Barbosa, em Guarulhos, na Grande São Paulo, a observação e o trabalho coletivo também foram as bases para a direção e a coordenação pedagógica elaborarem propostas de estímulo ao desenvolvimento de hábitos saudáveis. “Os gestores precisam engajar a equipe para obter bons resultados. Na Pedro Barbosa, todos eram receptivos e abertos. Isso ajudou muito”, diz Cristiana Vieira Cardoso, que, em 2016, atuava ali como vice-diretora. Naquele ano, a instituição foi a vencedora do Prêmio Nutrir nas Escolas na categoria de gestores.

As ações incluíram conversas com as cozinheiras sobre espaço (o que poderia ser melhorado na cozinha), acolhimento, exposição da comida (a escola dispõe os alimentos em bandejas para que os próprios alunos se sirvam) e, principalmente, sobre como montar cardápios diversos de acordo com os alimentos disponíveis, variando o modo de preparo. Também foram previstas reuniões com as famílias para conscientizar sobre bons hábitos alimentares e incentivar a adoção deles. Com os alunos, foram realizadas atividades utilizando instrumentos diferentes conforme a faixa etária, entre os quais rodas de conversa, teatro, vídeos etc.

Uma caixa de sugestões foi colocada no refeitório para que os estudantes pudessem opinar sobre as melhorias no ambiente e na alimentação. “As respostas sobre o que era possível adotar ou não eram dadas pelas próprias cozinheiras, o que gerou boas trocas e conversas”, conta Cristiana. Também montou-se uma horta. Os alunos dividem com os professores a responsabilidade pelo cuidado com ela, do plantio à colheita.

É importante, contudo, que as iniciativas tenham continuidade. “Não adianta ter apenas uma ação legal sobre o assunto em determinado período. É preciso incorporá-lo como prática cotidiana. Só assim vamos consolidá-lo como algo que passará a fazer parte da vida de todos”, diz a diretora Celia. “Mudanças de hábitos alimentares não ocorrem da noite para o dia. É um trabalho de formiguinha, mas estamos plantando sementes, que provavelmente vão brotar e se multiplicar”, completa Cristiana.